quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Abrindo a janela


Pela janela vejo fumaça e os carros frenéticos, buzinas e sirenes me impedem de ouvir, sim ouvir o som da natureza. Esta foi à primeira vez no ano em que abri a janela, para mim nunca foi normal sentir claustrofobia, mas hoje eu senti. Tentei ver o horizonte mas não consegui, nunca tinha pensado nisso mas hoje eu pensei, a muralha cinza de concreto me tapava os olhos, tentava desviar olhar mas ela tampava tudo.

Entretanto nem tudo estava perdido ou estava se perdendo, por entre os letreiros publicitários e o asfalto das ruas a natureza demonstrava sua força, sim sempre excluímos a natureza as cidades são uma forma de excluí-la, sim era por entre as fendas de minha cidade que eu via pequenas folhas crescerem, a natureza só busca o equilíbrio enquanto nós o excesso, no auge de nosso egoísmo e consumismo subjugamos o céu azul e o tornamos cinza, ofuscamos estrelas, cobrimos os rios, mas ali entre as fendas da cidade ela surgia.

Somos todos crianças, nos tornamos senhores do mundo, mas esquecemos de nossas responsabilidades, ou seja ainda temos muito a aprender. Sim a claustrofobia ainda me persegue, me sinto sufocado neste mundo, acho que poucas pessoas a têm, algumas pensam que é normal não enxergar o horizonte, outras pensam que é normal concentrar a renda mundial em poucos. Fecho a janela, e assim começo a pensar em buscar minha fenda.


Feliz 2009.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Diversão ou militarização?

Nas ultimas semanas venho me deparando com fatos curiosos, tanto pela ordem de sua ocorrência quanto o motivo de me vir à mente isso agora. Enquanto estava prestando atenção às convulsões do mundo, crise econômica, eleição de Obama entre outros o primeiro fato inusitado me veio em uma roda de amigos.

Era uma segunda feira um tanto quanto normal todos conversávamos sobre o que tínhamos feito no fim de semana, alguns amigos começaram a falar de suas compartilhadas aventuram em um jogo de computador, o famoso Counter Strike. Sim eles partilhavam suas vitórias e frustrações, quantos haviam matado quantas vezes haviam morrido que armas usaram, tudo isso com uma naturalidade muito fora do comum, falavam termos do jogo suas táticas de guerra.

Aquilo ficou em minha cabeça mas nem dei muita atenção, claro pois eu também jogava este jogo mas não com uma apreço tão grande a guerra com meus colegas. Então pensei até q ponto eu estou tratando a guerra como algo normal? Assustei-me, logo em seguida joguei isto para um plano social, até que ponto as crianças, adolescentes e adultos tratam a guerra como algo normal?

Cada vez mais jogos de guerra são lançados e com mais realidade, com público alvo claro, as crianças. Vejo cada vez mais a desumanização, e expansão da frieza nas pessoas. Algo que surgiu para promover diversão (que é o caso do vídeo game) se torna um meio de expansão de uma ideologia militar, instigando o “pseudo-heroísmo” de matar em troca de um objetivo, no vídeo game isto é virtual traz a guerra de uma forma emocionante uma aventura. Porém a realidade é outra, não existe reset e são pessoas de verdade que estão ali, que possuem sentimentos, que sentem a morte de alguém e que morrem de verdade.

Essa forma através dos jogos de ampliar a disciplina militar e de instituir em nossa cultura um ideal de herói de guerra que mata em nome de seu objetivo e nunca morre é cada vez passado mais cedo as nossas crianças seja no vídeo game ou na TV. O que me deixou curioso é o por que de eu pensar em tudo isso agora, claro não quero que o futuro do nosso país cresça com um ideal de herói o estadunidense que veste sua farda e mata milhares de iraquianos a troco de que? Deixamos a discussão e o que é herói para depois, mas devemos pensar agora o que isto influencia em nossa vida e de que forma vamos tornando cada vez mais aceitável a guerra.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O dia do saci


O dia 31 de outubro, abóboras nas frentes das casas, meninas de bruxinhas e meninos de monstrinhos saindo de porta em porta pedindo doces e pregando peças nas pessoas, que dia mais feliz, o dia das bruxas. Agora me diga o que isso tem em relação à cultura do nosso país?

Agora vejamos quantos hoje estão comemorando o dia do Saci? Quantos sabem que hoje é o dia do Saci? Pois é vemos que parte de nossa cultura popular, o nosso folclore vai se perdendo ao longo do tempo e sendo substituído por uma cultura importada, claro já não parece mais interessante um sujeito negro que pula em uma perna só com um cachimbo na boca e um gorro vermelho e sai por ai fazendo travessuras deixando as donas de casa e os camponeses loucos.

A questão não é que não devemos conhecer a cultura do outro, mas sim conhecer a nossa tão bem quanto conhecemos essa que nos é imposta, que cada vez parece mais acessível a nós do que a nossa, isso em relação a tudo não só ao folclore mas também a música e outras formas de expressão popular. Devemos lembrar também que um povo vai sendo colonizado pelo outro ao ter sua cultura subjugada, e estamos cada vez mais caminhando para isso ao ver nossos personagens cada vez mais distantes das crianças. Sim devemos conhecer a cultura do outro, se nos for de bom proveito assumi-la, mas nunca largar a nossa que é o que nos prende ao passado.

Então vamos, coloque seu gorro eu pule em uma perna só, e dia a todos feliz dia do Saci !

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O ralo e eu


O ralo fede, é um cheiro cruel,
Deveria tapá-lo, mas por onde correriam minhas misérias,
Sim, as misérias de minha existência,
Mas não é o ralo que fede,
É meu eu que fede, pois o ralo é meu,
Logo aquele cheiro podre vem de mim
O cheiro é produto de mim, ou eu sou produto do cheiro?

O ralo me da forças,
Não seio motivo, mas é como um homem que se olha ao espelho,
Para ter a certeza do que realmente é
Certeza quem ninguém tem
E o ralo fede
Sou seu amigo, único amigo,
Ele me sussurra coisas, tão exatas ou dispersas quanto a química.

O ralo é a verdade, que ninguém quer saber.
Sei que ao céu não irei,
Mas o ralo me espera, ele me entende,
É nele que jogo parte de mim todos os dias
Não só eu, mas o mundo,
Todos temos ralos
E é assim a vida, do barro viemos,
No ralo voltaremos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de setembro

Dia 11 de setembro, existe dia mais estadunidense do que esse? Não sei, penso que não, nem o 4 de julho o dia da independência onde mais do que nunca vemos as bandeiras hasteadas, é tão importante quanto o trágico 11 de setembro. Eram cerca de oito horas da manhã quando o primeiro avião acertou na primeira torre, dois mil mortos. Sim uma tragédia, uma tragédia de caráter global, pois naquele dia ficamos penalizados com o ocorrido, coitado dos EUA, nunca fizeram mal a ninguém por que será que fizeram isso com eles? Foram os “terroristas”.

É hoje fazem 35 anos da grande tragédia, nesse mesmo dia também um dia 11 de setembro, com ostensivo apoio dos EUA, as Forças Armadas, chefiadas pelo general Augusto Pinochet, dão um sangrento golpe de estado que derruba o governo do então eleito Salvador Allende. Desde este dia morreram mais de 20 mil pessoas contrarias ao governo de Pinochet e muitos outros desapareceram.

Neste dia que virou uma data simbólica vemos como as pessoas se penalizam, esquecem que a “guerra contra o terror” vem cada dia mais matando mais pessoas, que a invasão no Iraque vem matando milhares de pessoas também, se esquecem também das milhares de crianças que morrem todo dia de fome, nem chegam a pensar naquelas que trabalham nas carvoarias e que tem sua espectativa de vida reduziada aos 30 anos.

Mas vamos sim lembrar esta data, não apenas pelo 11 de stembro de 2001 vamos tabém lembrar o 11 de setembro de 1973, e assim por diante. Não é pedir muito para perceber o que esta por traz desta data, que desde então vem sendo usada como grande fonte de renda da indústria cultural, todavia este dia não gerou grandes prejuizos para os EUA, em plenas oito da manhã apenas estavam baixos funcionarios no predio, não havia nenhum grande executivo, não estava dentro do horario de trabalho deles.

Então lembrai o 11 de setembro, o fogo, o avião, o predio, a invasão, o golpe e tudo mais que ocorreu em um comum dia de setembro

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Eleições! E agora?

Certo dia, mais precisamente o último dia de minhas férias, eu estava sem fazer nada quando me surgiu uma idéia, resolvi ir ao escritório político de um candidato a vereador perto da minha casa, este ano será minha primeira eleição e sou ciente que meu voto é muito importante por isso me coloco no direito de escolher bem meus candidatos, enfim fui até o escritório deste candidato afim de saber suas propostas, feitos, e possíveis projetos.

Quando cheguei recebi de seu assessor um olhar de desprezo que me julgou dos pés a cabeça, o cumprimentei e fui direto: “quais são as propostas dele para o município?”. Olhou espantado e pouco interessado me perguntou o motivo de minha pergunta e minha idade, disse que minha idade não importava e que meu voto valia como o de cada cidadão de minha cidade, com minha resposta ele começou a dizer os possíveis projetos do então candidato, apenas escutei durante meia hora, com o velho discurso conformista de que como não havia nada o pouco que fez valeu a pena. Agradeci a “atenção” e sai.

Não gostei da forma que fui tratado a primeira vista pelo assessor, sei que meu voto não irá para aquele candidato, mas isso demonstra o descaso com a população, na qual um eleitor não tem o direito de saber as propostas de um candidato que se não já recebe uma resposta indisposta de alguém que será pago por ele. Meu voto será consciente, mas quantos não há que votam no que coloca uma “musiquinha” legal fácil de decorar e que fica na cabeça por muito tempo? Por isso peço o voto serio de cada um que sonha não só com sua cidade melhor, mas também com um mundo melhor.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A "cultura do enlatado"




Estava eu curtindo mais um dia das minhas merecidas férias quando resolvi visitar um grande amigo meu em seu prédio, morei lá durante seis anos da minha vida, sai de lá, mas mantive as amizades. Chegando lá encontrei meus amigos e ficamos batendo papo e de repente surgiu o assunto música, foram dez minutos de conversa e o que tinha ouvido até ali não era nada genuinamente brasileiro aquilo me deixou intrigado, vendo aquela situação resolvi falar de estilos e cantores realmente nacionais (como o samba, a bossa nova e no rock Cazuza e Renato Russo) recebi uma longa salva de risadas, disseram de tudo, falaram que aquilo era ultrapassado, era ridículo, coisa de veio.

Aquilo me deixou ao mesmo tempo triste, enfurecido, chateado. Ao voltar pra casa não sabia onde estava, liguei o radio estava tocando uma “bela música cheia de conteúdo” do 50 cent, logo passou um rapaz por mim usando uma camisa de futebol americano e uma bombeta da NY. Meu deus onde estou? Sentia-me em uma rua estadunidense. Só podia ser um pesadelo, cheguei em casa liguei TV, estava passando “Um tira da pesada”, não! Fuja para as montanhas estamos sendo invadidos, sabia como éramos constantemente invadidos pela cultura estadunidense, mas nesse dia estava de mais pra onde olhava via o dedo deles.

Desde que fomos considerados um país independente buscamos uma identidade cultural, o que acontece e que me deixa frustrado com nosso país é essa submissão que as pessoas tem em relação à “cultura do enlatado” que nos passam, o que devemos fazer é ser nós mesmos devemos defender nossa cultura, pois ela vem sendo esmagada e subjugada pela do enlatado. Vamos valorizar o que é nosso não o que nos impõe, não coloco em pauta a questão gosto musical, mas sim como aos poucos vamos perdendo nossa pouca identidade cultural, e nos tornamos cada vez mais gabirus.